segunda-feira, 16 de março de 2009

Sim, sim, sim!

Li uma vez um texto de Martha Medeiros na qual ela comentava sobre o sermão do padre nas cerimônias de casamento. E que se ela tivesse casado na igreja, mudaria todo o discurso. Achei bem bacana compartilhar e colei algumas partes do texto dela:

"Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até os fins dos seus dias?" Nossa, não é tempo demais? Bonito, mas dramático. Os noivos saem da igreja com uma argola de ouro no dedo e uma bola de chumbo nos pés. Seria mais alegre e romântico um discurso assim:

Ela: "Prometo nunca sair da cama sem antes dar bom-dia, deixar você ver os jogos de futebol na tevê sem reclamar, ter paciência para ouvir você falar dos problemas do escritório, ter arroz e feijão todo dia no cardápio, acompanhar você nas caminhadas matinais de sábado, deixá-lo em silêncio quando estiver de mau humor, dançar só pra você, fazer massagens quando você estiver cansado, rir das suas piadas, apoiá-lo nas suas decisões e tirar o batom antes ser beijada".

Ele: "Prometo deixar você sentar na janelinha do avião, emprestar aquele blusão que você adora, não reclamar quando você ficar quarenta minutos no telefone com uma amiga, provar a comida tailandesa que você preparou, abrir um champanhe no final de tarde de domingo, assistir junto o capítulo final da novela, ouvir seus argumentos, respeitar sua sensibilidade, não ter vergonha de chorar na sua frente, dividir vitórias e derrotas e passar todos os Natais do seu lado".

Sim, sim, sim!!!

(Martha Medeiros)

imagem: cena do filme Cinderela em Paris

domingo, 15 de março de 2009

Paris tem um astral legal

Li numa revista que em Paris há duas ondas de energias magnéticas que se encontram. Uma vai de Borgonha à Floresta de Fontainebleau e a outra liga Reims (em Champagne) a Chartres (em Eure-et-Loir). Segundo a especialista francesa em radiestesia e feng shui que fez a constatação, os três lugares em Paris que mais concentram toda essa energia e não podem deixar de ser visitados são a Place dês Vosges, a Igreja de Saint-Julien-le-Pauvre e a Catedral de Notre Dame.

Isso me fez lembrar os momentos que estive em Paris. E agora, muito do que senti fez sentido. A Place dês Vosges, por exemplo, é a praça mais agradável em minha opinião. É a mais antiga praça de Paris, sendo projetada em 1605. A especialista francesa mencionou que ela é rica em energias terapêuticas – o que revitaliza qualquer pessoa, melhorando o bem-estar. A dica dela: “Sente e esqueça da vida”.

E o melhor de tudo: foi o que fiz. Sentei, sem esperar nada, e esqueci da vida. Imaginei o grande escritor Victor Hugo sentado bem ali, num daqueles bancos, ladeado de árvores e da bela construção arqueada, em cor laranjada e janelas de sótão – que sempre me fazem lembrar a casa onde as crianças do filme Peter Pan moravam.

Aos domingos, músicos dão um tom especial a Place dês Vosges: interpretam Beethoven, Bach, Mozart. Quem não sabe o significado da palavra beleza pode aprender em segundos lá. Pode apostar!

Os outros dois lugares citados estão localizados um do lado do outro. Da Igreja de Saint-Julien-le-Pauvre se vê a Catedral de Notre Dame. Neste dia, em especial, resolvi passear sozinha por Paris. Foi o dia do roteiro das igrejas. Conheci várias, e claro, não deixei de fazer os três pedidos de praxe ao entrar pela primeira vez numa igreja em que nunca pisei. Como não consegui entrar na lotadíssima Notre Dame (meu desejo de subir as escadas até a torre ficará para outra vez), sentei-me num banco na praça Square Viviane onde está construída a Saint-Julien-le-Pauvre. Tive que me contentar e observar a construção gótica de fora mesmo! Embora aqueles belos vitrais tenham assistido grandes acontecimentos, ficar numa fila imensa e perder tempo não faziam parte dos meus planos.

O que me restou mesmo foi ficar imaginando a torre onde morava Quasímodo, o personagem da ficção de Victor Hugo, O Corcunda de Notre Dame. Segundo a especialista francesa, o ponto onde está a Igreja – na Île de la Cité – é considerada o coração magnético de Paris por ser o local de cruzamento das duas linhas energéticas. Paris nasceu em Cité. Na frente da Catedral de Notre Dame, no chão, está uma placa de bronze que marca o ponto zero da cidade.

Outro ponto interessante citado é a Igreja mais antiga de Paris, construída em 1220, a Saint-Julien-le-Pauvre. Li que lá há concertos lindos à noite. E, que neste local, a forte linha espiritual é imensa.

Paris é conhecida por ter o grandioso monumento Torre Eiffel, pelo melhor sistema de metrô do mundo, por ser a “Cidade Luz”, pelos passeios nos famosos Bateaux Mouches (barcos) no Rio Sena, por ser uma das cidades mais românticas do mundo. Mas o que muitos esquecem mesmo é de parar e ouvir Paris, sentir Paris, e apreciar Paris de outra forma. Vestem a roupa de turista frenético, empurram no metrô, tiram fotos mesmo sem saber.

É preciso respeitar Paris (aliás é preciso respeitar o mundo). Ainda mais agora que descobriram – que além do bem-estar -, a “Cidade Luz” tem um astral diferente.

Carolina Cascão


Eu e o meu primo na Place dês Vosges

Músicos na Place dês Vosges

Catedral de Notre Dame

Notre Dame

Igreja de Saint-Julien-le-Pauvre

Na frente da Igreja de Saint-Julien-le-Pauvre

Praça Square Viviane

"Paris não é apenas uma cidade para quem quer ou para quem pode. É para quem merece. Uma pessoa pode querer ir e pode até ir. Mas se não merece, nada adianta. Há várias pessoas que já foram a Paris, pensam conhecer a cidade, mas na verdade não a conhecem. Não no sentido bíblico da palavra. Não penetram em seu corpo, não partilham seus prazeres, não sentiram o êxtase que frutifica em emoções e íntimas revelações (...)" - Lucia Helena Machado



Domingo na praça mais antiga de Paris!


sexta-feira, 13 de março de 2009

Diálogo: o cabeça!


- Amiga, não gostei da cabeça dele não.

- Como assim cabeça? Você nem o conhece.

- Não, cabeção. Tô falando do formato da cabeça dele. É muito esquisita. Hahahahahahahahahahahahaha.

- Hahahahahahahahahahaha. Como assim?

- Não sei explicar...parece um amendoim.

- Amendoim??? Hahahaha. Pior que é mesmo. Ah, dane-se a cabeça dele. Vou dar uma chance mesmo assim. Vai que...ah, se não seguirmos as nossas fantasias elas acabam por nos abandonar para sempre! Além do mais, acho a cabeça dele linda, cabeção!

- Tudo bem, minha amiga. Esquece a cabeça. Mas cuidado. Fantasia é muito bom mas não vá deixar que isso a confunda. Eu conheço você, cabeção. Daqui a pouco você já está entrando numa com esse cabeça, ...ops (hahaha), com esse cara. Aí, o "rapaz" que você nem conhece direito vira o seu príncipe encantado.

- Ai sem essa de príncipe. Eles não existem não...apenas vou dar uma chance para alguém novo, poxa!

- Ainda acho que você deveria dar uma colher de chá para o Alexandre. Olha lá a carinha dele. Coitado, não tira o olho de você. Ah lá, acenou! Acena de volta, pô!!!

- Puxa vida que chatice, hein, amiga.

- Olha, amiga, se um gato como o Alexandre me desse mole, eu ficava. Tenho certeza que você se dará conta da besteira que está fazendo. Só não dou em cima dele porque você é a minha amigona do peito.

- Você é lélé da cuca mesmo.

- Posso até ser. Mas que a cabeça do ciclano é esquisita...ah isso é sim.

- Pode ser cabeça esquisita, cabeça de ET, orelha seca. Mas ele é muito sensível.

- Xii. É bicha, cabeça. Isso é coisa de bicha.

- E se for? Caraca, como você é preconceituosa.

- Não é preconceito e sim objetividade. Acho super esquisito homens sensíveis. Sou mais o gato do Alexandre.

- Embrulha e leva de presente.

- Até parece que ele vai me querer. Tá na sua onda há tempos...Minha amiga, adoro você. Cai na real. Deixa essas fantasias de lado. Se continuar sonhando vai sofrer adoidado. A minha intuição não é boa quanto ao cabeça esquisita!

- Hahahahaha. Você não tem jeito mesmo. Bom, se eu cair de um prédio de seis andares você junta os cacos?

- Junto. Amiga é para essas coisas também. Ô, amiga vamos jogar I Ching???

(Dedicado à minha amiga Dani)

crédito da foto: http://www.zonamix.com.br/behype/wp-content/uploads/2009/01/fofoca3.jpg

Feliz, feliz, feliz...como em Paris!

"A vida não pode se apenas um hábito" (Katherine Mansfield)

Hábito lembra uniforme. Uniforme lembra escola e trabalho (para os que assim trajam). Escola se frequenta todos os dias, exceto aos finais de semana. Escola lembra rotina e dia-a-dia. Rotina estraga qualquer forma criativa e feliz de viver. Infelizmente, é assim. A sociedade impôs que temos que trabalhar e estudar de segunda à sexta-feira e que horário útil é entre 9 e 12 horas, com um intervalo, e depois entre 14 e 18 horas. Isso é simplesmente um pé no saco.


E se eu preferisse acordar um pouco mais tarde num dia - em que não houvesse compromisso com terceiros - e começar a trabalhar poucas horas depois? Não veria problema nenhum de ultrapassar o horário público das 18 horas. Que maravilha! Nem mesmo pegaria aquele trânsito infernal de todas as pessoas saindo ao mesmo tempo do trabalho, numa correria absurda e frenética para buscar os filhos na escola, ou naquela pressa impaciente para se chegar em casa. Ufa! Quanto ruído...


Hábito também é o uniforme das freiras. Nada contra. Mas imagina que beleza vestir todos os dias a mesma roupa. Poxa, será que não daria para colocar nem um brochinho ali num canto qualquer de toda aquela vestimenta? Só para dar uma variada?! Mas a questão não é a vestimenta e sim como levar o dia-a-dia com menos enfado e mais emoção. Menos realidade e mais sonho. É tão bom quando saímos da rotina. O amor faz isso! E como é maravilhoso.


Ainda bem que história em quadrinhos são histórias em quadrinhos. Nunca vi a Mônica, a Magali, o Cascão ou o Cebolinha trajarem outras roupas. É sempre o vestidinho vermelho, amarelo e por aí vai. Nem mesmo os comportamentos mudam ou evoluem. Uma sempre será a comilona e a fruta predileta sempre será a mesma. Outro nunca aprenderá a falar de forma correta. Ainda bem mesmo que o dia-a-dia desses personagens ficam só nas revisitinhas. E o pior de tudo é que gostamos, nos acostumamos, e adoramos os personagem. Não nos incomoda se existe ou não evolução. É apenas uma historinha infantil que nos agrada bastante.


Agora, na vida real, no aqui e agora. Não podemos - e acredito que não queremos - sermos fadados a um personagem. Aquele ali - aquele mesmo - que sempre está do mesmo jeito. A vida para ele é apenas um hábito. Sem emoçao. Um picolé de chuchu. Sem graça nenhuma!


E é por essas e outras questões que é preciso cultivar sonhos. Não precisam ser imensos e de difícil alcance. Às vezes, programar apenas uma viagem já basta. É isso que estou fazendo neste momento. Junho está próximo. Na mala levarei de tudo um pouquinho: alegria para ser compartilhada e tristeza para ser deixada, lembrança ruins para serem esquecidas - inclusive pessoas, e muita, mas muita vontade mesmo de abrir novamente as portas do coração!


Foi assim quando estive em Paris. Voltei renovada, corajosa, forte, totalmente diferente. A foto da cena do filme "Cinderela em Paris" revela bem o meu espírito quando estive lá.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Encontro Marcado

http://www.youtube.com/watch?v=Segjq6VAHDM&feature=related

Não basta amar. É preciso relevar!

Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e que justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí?

Depois que acaba essa paixão retumbante, sobra o quê? O amor. Mas não o amor mitificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos: o sentimento que temos por mãe, pai, irmãos, filhos e amigos. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares ou ao conjugue. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.

Casaram. Te amo para lá, te amo para cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto tem que haver mais que amor, e às vezes nem necessita um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência. Amor, só, não basta.

Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber relevar. Amar, só, é pouco.

Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas para pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.

Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, independência, um tempo para cada um. Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem: às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, solamente, não basta.

Entre homens e mulheres que acham que amor é só poesia tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor ate pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

(Martha Medeiros)

terça-feira, 10 de março de 2009

Contos de Inverno


Recebi hoje o convite para o lançamento da coleção de inverno de uma das minhas lojas prediletas: Maria Filó. As roupas são lindas. Delicadas e ao mesmo tempo modernas. Numas das últimas compras, adquiri um chinelo super bacana, estampado com tecido cor-de-rosa e desenhos de sapos. Vários sapos!!! Ai, complexo de cinderela é pouco.

Mas o motivo de postar o convite no blog é o texto. Basta clicar na foto para ler. Mas gostei tanto que resolvi escrever abaixo também:

Contos de Inverno

Uma coleção para princesas que se recusam a esperar que príncipes batam as suas portas.
Que descobriram que há sapatos bem mais interessantes que o de cristal.
Para bruxas lindas e adoradas, seguidas por legiões de fãs. E feiticeiras do bem que usam todo o poder que têm para serem felizes.

Seja bem-vinda a este universo infinito de possibilidades, onde você poderá escrever uma história só sua e ser a personagem que quiser.