segunda-feira, 29 de junho de 2009

Use saia. Saia de si!


Achei infeliz a propaganda da Batavo que vi na contracapa de uma revista ontem.

USE SAIA.
SAIA DE DIA,
SAIA DE NOITE,
SAIA DE SI.


Tudo isso apenas para a pessoa não se reprimir e consumir os produtos “Pense Light”. Tudo bem que a ideia é dar opções mais leves de alimentação e consequentemente levar uma vida gostosa.

Mas a única coisa que penso é USE ENTRE. Pensei em outra versão:

ENTRE em casa. ENTRE no trabalho.
ENTRE no seu país. ENTRE em outro país.
ENTRE de dia. ENTRE de noite.
ENTRE em si. Caia em si!

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

O mito da Cinderela, de Uma Linda Mulher...


Hollywood tem muita competência para filmes do tipo Cinderela. É a garçonete que se casa com o milionário 20 anos mais velho. A prostituta que larga a vida mundana e se torna a mulher do trilhardário. É a vendedora de livros falida que conhece pela internet o dono da maior livraria de Nova York, se apaixona e vive feliz para sempre... e por aí vai.

Não estou criticando não. Ainda bem que existe Hollywood. Adoro esses filmes “mamão com açúcar” que nos levam direto ao mundo da fantasia. É muito bom entrar debaixo do edredom e assistir os filmes estrelados pela Meg Ryan, por exemplo. É uma delícia! Adoro as paisagens, os restaurantes, as viagens, as roupas, a paixão, enfim, tudo aquilo que foge à realidade. Amo o Pierce Brosnan também...olha só, um príncipe! Detetive que nada, é um mane príncipe mesmo. Só não posso lembrar de tê-lo assistido saltitante e feliz em Mamma Mia. Creeedo!

Bom, voltando ao assunto. Filme é filme. Nada de confundir com a realidade. Conheço poucas pessoas que conseguiram “o que fazem nos filmes”. Parece o slogan da TNT. Nesses “contos de fada”, eles estão apaixonados pela empregada, assistente, secretária, garçonete, pela mulher do melhor amigo...e se casam com elas.

Na realidade, o que os homens querem é status. Pois os outros olham para isso. “Puxa, olha só que mulherão que aquele ciclano está. Será que ela tem irmã?”.

É engraçado. A mulherada chora, imaginando, que como a Cinderela que limpa o chão, elas também serão escolhidas pelo príncipe encantado do primeiro-ministro de algum país da Europa. Isso acontece sim, mas só para algumas, pois não existem tantos presidentes e primeiros-ministros por aí. A Carla Bruni, por exemplo, já catou o seu príncipe lá na França!!!

Então, vamos trabalhar, ganhar algum dinheiro, erguer-se, tornar alguma coisa e ter status. E, claro, bem-estar. Até porque, uma vez satisfeitos, eles ficam bem conscientes sobre o relacionamento e não vêem mais a necessidade de resgatar a pobre garçonete, a Cinderela, a assistente, a empregada, a menor abandonada, a endividada. Deixe Hollywood lá em Hollywood mesmo!



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quinta-feira, 25 de junho de 2009

A neve, o livro, a morte


A neve congelava não só o corpo como o coração – partido em alguns pedaços. Cada fragmento representava um vazio. E a garota ali, incólume, imóvel. “Aquilo não era verdade”. Ele não pode estar morto. Ele não podia...

Foi nessa ocasião, no enterro do irmão, que a garota que roubava livros começou a sua carreira ilustre. Roubou a primeira obra: O Manual do Coveiro. Ela não sabia ler. Mas aquelas páginas representavam uma lembrança: a última vez que viu o irmão.

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Comecei a ler o livro A Menina que roubava livros. Maravilhosa obra! Por isso resolvi escrever um breve resumo do que li até agora: apenas 30 páginas.


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O Manual do Coveiro

Guia em doze passos para o sucesso como coveiro
Publicado pela Associação Bávara de Cemitérios


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terça-feira, 23 de junho de 2009

Boas maneiras ao dar uma festa


Sendo ou não anfitriã de uma festa me preocupo com todos. Por menor que seja a reunião, pensar nos convidados, providenciar copos, pratos, talheres, convidar as pessoas, enfim, dá um trabalhão. A Gloria Kalil fala que ao sermos convidados para uma festa, jantar, ou sei lá, é bom retribuir o empenho do anfitrião com flores, bombons ou pelo menos, estar com uma roupa adequada. É o mínimo!

Sempre levo algo para o anfitrião. Pode ser a minha tia ou avó, lá vou eu com chocolates ou flores. Acho educado e uma forma de agradecer a simpatia de ter sido convidada. No domingo, levei uns picolés à uma ocasião. Foi simpático. Ou pelo menos, a ideia era essa.

E é justamente sobre boas maneiras que quero escrever hoje. Minhas amigas sabem que se querem que eu vá mesmo a uma festa, não basta me convidar por e-mail ou mensagem de celular. Aprecio muito uma ligação. Elas já criticaram muito esse meu jeito, mas aceitaram assim mesmo. Então, quando tem uma festa, elas me ligam e convidam. Até hoje as garotas que estudaram comigo na faculdade se encontram. Elas combinam tudo por e-mail. Não gosto disso. Então, nunca vou. Quando me ligam, faço questão de comparecer. Pode ser frescura, mas se for mesmo, é a minha única.

Aprendi que ao dar uma festa ou reunião, deve se deixar claro que tipo vai ser. Festão, jantar sentado, violão em volta da piscina, aniversário, bota-fora.... É bom também avisar as pessoas que estarão presentes pois assim se evita constrangimentos.

É importantíssimo falar ao convidado qual será o menu. Se a pessoa é vegetariana, por exemplo, aproveita para fazer uma boquinha antes, em casa mesmo. Não custa nada avisar o horário que o jantar será servido e qual o tom da roupa. Ninguém gosta de ser pego de surpresa vestindo jeans e hering bem no dia em que todos estão de pretinhos básicos.

Sabe outra coisa que detesto? Convites atropelados! Do tipo, dá uma passadinha lá em casa. Daí você não sabe se é para ir ou não ir. Parece que a pessoa só lembrou de convidá-la porque a encontrou no shopping. O convívio social é mesmo complicado.

Dica

Responda a todos os convites sempre. Ainda mais quando a sua presença pode alterar a dinâmica do evento, como almoços e jantares sentados. Até porque isso implica na estratégia da distribuição de lugares. Se quer levar outra pessoa com você, consulte o dono da casa. Não obrigue a criatura a passar por penetra.

Imagem: http://paulojales.files.wordpress.com

domingo, 21 de junho de 2009

Amada Paris

Torre Eiffel em construção

Saudades monstra de Paris. Antes de colocar os pés naquela cidade sabia que iria amá-la até o fim dos meus dias. A primeira vez que estive lá, tive a maior certeza da minha vida: quero viver Paris até a última gota. Não importa quantas viagens terei que fazer. Quero muito ficar um mês inteiro lá, alugar um apê e viver como uma francesa nata. Só sei que quando estiver velhinha quero estar lá para me despedir.

Adoro tudo. Adoro o fato também de alguns museus funcionarem de madrugada. Tenho insônia e acho que nesses dias, nada melhor do que apreciar obras de arte. Quando morrer serei fantasma de museu. Fora isso, Paris é um obra de arte em forma de cidade. Aconselho a não ter preguiça e se tornar andarilho por alguns dias. Assim como sem destino, sair batendo perna e entrando nas ruazinhas, sem saber onde está, apenas apreciando a palavra beleza! Era muito para uma Carolina só. Senti-me imensamente feliz.

Me sinto em casa em Paris. Adoro olhar as vitrines, esperar o metrô, comprar clemontines (tangerina sem caroço) nas vendinhas e pães de amêndoas na Boulangerie.

A arquitetura é perfeita. Parece que tudo em Paris está como se estivesse na década de 20, intocável. E tudo preservado. Aqueles edifícios que formam uma espécie de esquina triangular é um charme, além de arejar a cidade. Tudo bem pensado.

Bouquinistas

Ah, e os famosos bouquinistas na beira do rio Sena. Paris não seria a mesma sem esses intelectuais e artistas de rua. São tantos quadros, fotos e postais que dá vontade de levar tudo para casa.

Puxa vida, vou parar
por aqui, se não acabo escrevendo um livro. Sabe por quê? Lembro a toda a hora mais algo que adoro em Paris.

Lembrei-me que amo scargot também. Au revoir!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Amo você quando não é você - Martha Medeiros

Parece aquelas notícias de jornal popular, mas merece uma página inteira na imprensa nobre. Escute só: um casal em crise estava, cada um, em segredo, trocando e-mails com um pretendente virtual. Ela querendo ver o marido pelas costas e total mente envolvida pelo cara com quem teclava todos os dias. E o marido querendo que a bruaca evaporasse para poder curtir a gata que conheceu num chat. Você certamente já matou a charada: cada um marcou um encontro às ganhas com seu amor clandestino e shazam: descobriram que estavam teclando um com o outro sem saber.

Ou seja, marido e mulher não se amavam mais, porém se apaixonaram um pelo outro pela internet, usando pseudônimos. Imagine a cena: você se arruma para um primeiro encontro com alta carga erótica e dá de cara com seu cônjuge. Eu iria rir da situação e tentaria reinvestir no casamento desgastado, dessa vez estabelecendo novos códigos, mas o casal em questão não teve senso de humor e pediu o divórcio, alegando que estavam sendo "traídos". Moralismo nessa hora?

Não é preciso teses nem seminários: este fato, isoladamente, consegue explicar e exemplificar o ponto frágil dos casamentos de longa duração. Todo ser humano é vaidoso - uns mais, outros menos - e essa vaidade se estende ao campo da sedução. Por mais que a gente ame a pessoa com quem casamos, a passagem do tempo reduz o feedback sexual. As transas podem até continuar prazerosas e relativamente assíduas, mas já não temos certeza se seríamos capazes de chamar a atenção de alguém que nada soubesse sobre nós, e esta é uma necessidade que não esmorece nunca: seguimos interessantes? seguimos atraentes? E a pergunta mais séria entre todas: depois de tanto tempo fundidos com um parceiro, sabemos ainda quem somos nós?

Sendo assim, ficamos suscetíveis a uma paquera. Pela internet, parece seguro, sem conseqüências, mas não impede que nos apaixonemos - nem tanto pelo outro, mas principalmente por nós mesmos. Recuperamos a adolescência perdida: nos tornamos novamente audazes, sedutores e jovens - paixão rejuvenesce mais que botox. É a chance para a gente se reinventar e ganhar uma sobrevida neste mausoléu de sentimentos chamado "estabilidade afetiva". Não, você não, que é de outra estirpe. Estou falando de gente comum.

Este casal pagou um mico, mas fez um alerta à humanidade: somos capazes de nos apaixonar por quem já fomos apaixonados, desde que esta pessoa se apresente a nós como uma novidade e nos dê também a chance de sermos quem a gente ainda não foi. Este marido, que em casa talvez fosse carrancudo e desleixado, revelou-se bem-humorado e empreendedor para sua nova "namorada". A esposa, que em casa talvez bocejasse pelos cantos, mostrou-se alegre e entusiasmada para o novo "namorado". Estavam o tempo inteiro conversando com quem conheciam há anos, mas, da forma que se apresentaram, desconheciam-se.

Já escrevi uma vez sobre este tema: a gente se apaixona para corrigir nosso passado. Agora fica claro que podemos corrigir nosso passado com os próprios protagonistas do nosso passado, desde que eles nos enxerguem com olhos mais curiosos, com um coração mais disposto e que acenem com um novo futuro.


Martha Medeiros

imagem: http://fotocache02.stormap.sapo.pt/fotostore02

Em que pé está

Não tem jeito. A hora sempre chega. E o monstro verde com sete cabeças aparece bem na sua frente e pergunta: Em que pé está?

Nãããão, agora não. Deixe-me curtir só um pouco mais, sr. Monstro. Ainda não. Não solte os aliens da insegurança agora.

É duro, é chato, e tem que ser encarado. Resolvi então dar uma volta comigo mesma. Foi legal!

Estava sozinha. E, claro, como palco de fundo, meu eterno amigo lago Paranoá. Não havia sequer nem um rosto conhecido. Isso era bom devido ao momento e ocasião.

Fiquei um tempão olhando para a água. Foi então que me bateu uma felicidade sem razão e sem tamanho. Senti uma conexão absoluta comigo mesma. É piegas sim. Mas foi o que aconteceu. “Sentia um acréscimo de estima por si mesma. Era a primeira vez que lhe escreviam todas aquelas sentimentalidades”, como canta Arnaldo Antunes.

Obrigada, obrigada, obrigada, meu Deus! Ainda sei sentir!

E como tudo é grande para quem ainda sabe sentir.

imagem: http://trovador.files.wordpress.com