segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Outro tipo de mulher nua – Martha Medeiros


Nunca vi tanta mulher nua. Os sites da internet renovam semanalmente seu estoque de gatas vertiginosas. O que não falta é candidata para tirar a roupa. Serviu cafezinho numa cena de novela? Posa pelada. É prima de um jogador de basquete? Posa pelada. Caiu do terceiro andar? Posa pelada.

Depois da invenção do photoshop, até a mais insignificante das criaturas vira uma deusa, bastando pra isso uns retoquezinhos aqui e ali. Dá uma grana boa. E o namorado apóia, o pai fica orgulhoso, a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam, então pudor pra quê?

Não sei se os homens estão radiantes com esta multiplicação de peitos e bundas. Infelizes não devem estar, mas duvido que algo que se tornou tão banal ainda enfeitice os que têm mais de 14 anos.
Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade – emocionalmente.

Nudez pode ter um significado diferente e muito mais intenso. É assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história. É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente. Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos – aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não bonecas de porcelana. Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.

Pouco tempos atrás, posar nua ainda era uma excentricidade das artistas, lembro que esperava-se com ansiedade a revista que traria um ensaio de Dina Sfat, por exemplo – pra citar uma mulher que sempre teve mais o que mostrar além do próprio corpo. Mas agora não há mais charme nem suspense, estamos na era das mulheres coisificadas, que posam nuas porque consideram um degrau na carreira. Até é. Na maioria das vezes, rumo à decadência. Escadas servem para descer também.

Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior. Mas é o que devemos continuar fazendo. Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro. Não conheço strip-tease mais sedutor.


imagem: http://www.onlinephotographers.org/pics/3285_bb.jpg

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Exigências da vida moderna (quem aguenta tudo isso???)


Texto : Luis Fernando Veríssimo.

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C.

Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E depois uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).

Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para... o funcionamento dos rins, faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.........

Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.

E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia. UFA !!!

E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. CAGANDO NÉ !!!

Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que
você não pegue trânsito. TÁ DIFICILLLLL

As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).

E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar das minhas amizades quando eu estiver viajando.

Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.

Ah! E o sexo!!!! Todos os dias, um dia sim, o outro também, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Dizer EU TE AMO, toda hora, ''ainda pego quem inventou essa neura...que saco!!!'' isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.

Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, trabalhar e lavar, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. se tiver tem que brincar com ele, pelo menos meia hora todo dia, para ele não ficar deprimido....

Na minha conta são 29 horas por dia.

A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!

Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes ao mesmo tempo.

Chame os amigos e seus pais, seu amor, o sogro, a sogra, os cunhados... Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher ou marido. Não esqueça do EU TE AMO, (Vou achar logo quem inventou isso, me aguarde).

Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.

Agora voce tá ferrado mesmo é se tiver criança pequena, ai lascou de vez, porque o tempo que ia sobrar para voce...meu já era. criança ocupa um tempo danado.

Agora tenho que ir.

É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro e correndo.

E já que vou, levo um jornal...

Tchau....

Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.


imagem: http://pimentadoce.blig.ig.com.br/imagens/correndo.jpg

Catálogo da vida

Como é que a gente sabe que uma coisa está viva?
Verifica a respiração.


A garota sabia que o irmão já não estava mais ali. O coveiro deixou cair o livro. Era um manual. Um guia de como enterrar as pessoas. Ela pegou aquela obra para ela. Não que fosse sair por aí enterrando as pessoas. Pois o assunto...ah o assunto não era importante, mas aquele livro significava muito para ela.

Escrevi o breve resumo, em pouquíssimas palavras, após ler um dos capítulos de "A menina que roubava livros", pois chamou-me atenção a importância dos meros detalhes da vida.


É por isso que música marca um fato, nos faz voltar ao passado ou lembrar de uma pessoa querida - ou que já se foi ou que nos é especial. Fotos são lembranças vivas que nos fazem transportar para aquele dia, aquela ocasião. Um guardanapo, um bilhete de entradas de cinema ou de um passeio de barco, enfim, são detalhes pequenos que guardam grandes acontecimentos.

Seja num baú ou numa pequena caixa, todas as pessoas deveriam depositar sonhos vividos ou que remetam às boas lembranças. Depois, num dia comum, daqueles bem sem graça, vasculhar todas aquelas memórias...e chegar exatamente na ilha do tesouro do pirata. Descobrir os próprios segredos que já tinha esquecido. Relembrar como se sentia em tal época...

Os meus diário - que escrevia quando era criança e adolescente - estão guardados. Assim como as cartas apaixonadas da fase teen, os cartões postais que recebia de amigos quando estavam em viagem, guardanapos que peguei na Disneylandia quando fui pela primeira vez, e outras milhares de miudezas que provam que vivi muito bem toda as fases da minha vida. E que assim continue...

God bless you!


imagem: http://1.bp.blogspot.com

Momento de histeria


Recebi uma frase fantástica hoje por e-mail.


Cuidado com o stress porque:

" Mais vale chegar atrasado neste mundo... do que adiantado no outro !!! "



Abaixo à repressão!

Meus pais não têm conta conjunta no banco. E estão casados há 31 anos. Problema? Nenhum!!! Muitos casais colocam isso como uma prova de amor, como se fosse a aliança de casamento. Várias amigas da minha mãe têm conta conjunta com o marido e acham o máximo: um verdadeiro atestado de confiança. Quanta bobagem!

Devem estar pensando que sou uma xiita no assunto. Mas para mim, tal atitude é prova de insegurança. E outra: as pessoas devem preservar algumas individualidades mesmo ao casar. Abaixo à repressão! Cadê a LIBERDADE ESPIRITUAL???

Digo que as mulheres são burras. E pelo jeito a maioria é. Em pouco tempo já está “fisgada”. E o pior: nem esconde que foi “fisgada” e ainda por cima, além de casar, ainda assume uma conta conjunta. Barbaridade!

Como escrevi aqui esses dias sobre as brincadeiras de Barbie quando éramos crianças, as mulheres, na maioria das vezes, fantasiam o casamento e os filhos. E quando encontram alguém já imaginam o enlace. Abaixo à repressão! Vamos viver!

Vamos viver! E sentir. Nós mulheres temos que nos dar a oportunidade de apagar esse pensamento antigo e, simplesmente, se sentir atraída pelo cara que escolheu e não ficar pensando só em casamento. Eles não são o caminho mais curto para a última meta: o casório.

Os “escolhidos” por nós tem que acreditar e, claro, sentir, que somos atraídas por eles e que prestamos atenção neles. Qual o problema de fazerem eles o nosso centro do universo?! E não o centro para o casório?

Então vamos lá. Luz, câmera, AÇÃO!


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Fala sério! CLICK!


“Bem-vindo à sua vida
Não há volta
Mesmo enquanto dormimos
Nós encontraremos você”

“Welcome to your life
There's no turning back
Even while we sleep
We will find you”
(Everybody Wants To Rule The World / Tears for fears)


Momento de histeria geral. Fala sério! O que aconteceria se tivéssemos o poder de coordenar os rumos de nossas vidas a partir de um controle remoto? Se você fosse workaholic e tivesse a oportunidade de comprar um, o que faria? Não pensaria duas vezes, certo? Pois foi o que Adam Sandler, no filme Click, fez: comprou o objeto que controlava tudo. Abafava o som do latido do cão, adiantava – como se fosse num DVD – uma discussão de relacionamento ou uma situação ruim.

Daí você pensa: pronto! Menos um problema. O que mais queremos mesmo é evitar momentos difíceis. Engana-se. Enfrentar situações não muito felizes é necessário para o nosso crescimento. O negócio é dobrar as mangas, ir à luta e enfrentar com sabedoria. Sempre!

O filme é uma comédia que nos faz rir. Mas muito mais que isso é uma lição de vida. Nos coloca no lugar do personagem quando situações do cotidiano acontecem nas cenas do Click. Essas questões referem-se à forma como nos relacionamos o tempo e as pessoas, especialmente aquelas que realmente nos são especiais e que, tantas vezes, parecemos não perceber...

O personagem de Sandler persegue o sucesso profissional. Não se trata de chegar ao topo. O que ele busca realmente é valorização profissional e, claro, proporcionar qualidade de vida material aos filhos e à esposa. Mas qualidade de vida mesmo, não se dá por meio de dinheiro. Sandler se sacrifica. Mata-se de trabalhar e fica ausente da vida familiar mesmo quando está em casa.

Nem sempre “o trabalho enobrece o homem”. O filme traz à tona a relação do tempo das pessoas com aqueles que amam, com a família. Numa época em que tudo é descartado, inclusive as pessoas. Está na hora de rever os princípios de vida antes que seja tarde demais...






Reflexão: as pessoas não são descartáveis

Família é a mais importante instituição humana. É em nossas casas que encontramos a segurança, o carinho, o apoio, a paz e o amor que precisamos (ou pelo menos deveria ser). Apesar disso, dedicamos menos tempo à família e, mesmo quando estamos em nossos lares, muitas vezes estamos distantes e alheios aos filhos e cônjuges, aos irmãos e aos pais. “Click” coloca tal situação em destaque.
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Para curtir um pouco da trilha sonora do filme, separei algumas músicas que têm significado.


* Come Out And Play (The Offspring)

“Is gonna tie your own rope, tie your own rope, tie your own”

(“Vai amarrar sua própria corda, amarrar sua própria corda, amarrar sua própria”)




* Hold The Line (Toto)

“It's not in the way that you stayed till the end
It's not in the way you look or the things that you”

(“Não está na sua maneira de ter ficado até o fim
Não está na sua maneira de olhar ou nas coisas que você diz que fará”)




* Momento comédia e brega: Making Love Out of Nothing At All (Air Supply)






quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Brincadeira de criança

Brincar de Barbie quando criança é saber um pouco como será a vida de gente grande. Assim aconteceu comigo – e com as minhas amigas! Semelhante aos nossos dias de “barbeiras”, quando éramos meninas, alguns fatos se repetiram.

A minha Barbie, por exemplo, morava no escritório. Na verdade ela vivia no “Lar & Escritório” que era um brinquedo dois em um: a mesa cedia lugar para a cama.

A minha boneca só trabalhava e, de vez em quando, praticava aulas de tênis. O mais engraçado é que ela só namorava homens famosos, como o Conrado ou algum integrante da Banda Dominó. Hilário!

Já a Barbie de uma amiga vivia se casando. Toda brincadeira ela estava vestida de noiva. Resultado: foi a primeira a se casar. Outra amiga sempre era a Luciana Vendramini. Engraçadíssimo! Mas essa aí não virou atriz não.

Os padrões mesmo de brincadeirinha se repetiram. A minha rotina é trabalhar além da conta. Resolver problema o tempo todo. Antigamente ainda conseguia praticar um esporte. Agora, pifei. A pilha está fraca e mal consigo pegar numa raquete. Paciência!

Acho que vou voltar no tempo e brincar de Barbie de novo. Mas, dessa vez, a minha boneca terá um destino diferente...Aruba, Jamaica....Bahia.