quinta-feira, 9 de abril de 2009

Flerte: o ouvido é a boca


Caros,

Como estou numa entresafra literária involuntária e não quero deixar de atualizar o blog, resolvi colar aqui uma carta que li no blog do talentosíssimo escritor Fabrício Carpinejar.

As horas passam voando e o meu tempo se torna insuficiente para escrever o que quero e atualizar o blog. As palavras surgem com muita razão e pouca emoção. Droga!!!

Em resposta à carta, Carpinejar dá uma receita de como conquistar uma mulher. Achei engraçado, principalmente a parte do horóscopo. Ah, se tivesse uma receita...não tem. Ninguém é uma forma de bolo.

Do Consultório Poético (para complicar o que já estava complicado)
Fabrício Carpinejar


"Doutor Poeta, tenho uma dificuldade imensa para começar relacionamentos, para chegar na menina, para conversar. Todos os meus namoros iniciaram apenas com a convivência, em ambiente de trabalho, com colegas. Na noite, na balada, não sei me aproximar, dar cantadas.

O que posso fazer para vencer o bloqueio e ser natural? O que as mulheres esperam?"



O que as mulheres esperam é alguém que seja sensível mas não derramado, que seja educado mas não morto, que saiba sugerir e não se posicione de modo explícito, que seja sacana mas não tarado, que a faça sentir atraente mas não escandalosamente assistida como um serviço de telemensagem. Uma receita infalível é conhecer horóscopo. Não estou brincando, é sério. Compre uma revista feminina, guarde três características de cada signo que o ajudará a definir o temperamento da menina. Com uma base, basta observar com atenção seus gestos para explorar as qualidades e convicções.

Não há mulher no mundo, com exceção da minha mãe, que não fique horas falando sobre o tema. Ela se verá envolvida, seduzida, abrirá lembranças e gostos. Baixará a guarda. Deixará espaço para dizeres: - sou igual, sou igual. A empatia surgirá dos pontos em comuns, da identificação. Comente sobre a música que está tocando ou de algum detalhe da roupa. Da confiança poderá encontrar a naturalidade, superando o início travado e engasgado da conversa.

Você precisa diminuir rapidamente a estranheza, intrigar, inspirar curiosidade. Ela tem que raciocinar: "Como eu não o conheci antes". Quando ela olha para cima ou para baixo, está gostando. Miradas às laterais ou em direção às amigas, deseja na verdade sair correndo de perto de você. Controle a postura dela. Caso estiver no bar e observar fixamente para o copo, é um indício de que ela curtiu o tom e a atmosfera. Avance devagar, de lado, nunca de frente.
O ouvido é a boca na primeira abordagem.

Evite lugares-comuns, tal "Está ferida? Você é um anjo que caiu do céu". De maneira nenhuma, empregar a interrogação "a conheço de algum lugar?", que pode suscitar respostas desagradáveis: "Do hospício". Não seja genérico (quem entende de genérico é farmácia), a exemplo de "você vem sempre aqui?". O tempo do contato é curto, como troca de pneus em fórmula um e exige a máxima intensidade e concentração. Ofereça bebida, ainda que uma diet. Personifique o trato, com espirituosidade. Se ela resistir, não desista, está o testando. Nessa situação, abuse do humor, banque a vítima. Faça uma autocrítica, uma piada sobre sua própria incapacidade de seduzir. Os defeitos tornam mais realista o contato, mais humano, mais vívido.

Chaveco que todo mundo recorre é atestado de burrice. Cantada deveria ser como preservativo, para se utilizar uma única vez.

imagem: http://xicoriasexicoracoes.files.wordpress.com/2007/05/beijo.jpg

Um comentário:

Sandra disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Quase me acabo de sorrir dessa parte:

"a conheço de algum lugar?", que pode suscitar respostas desagradáveis:
"Do hospício".

Uma maravilhosa semana linda.


Bjinsss!!!!